GENOCÍDIO

Este texto mostra um dia da vida de Kalaham, personagem de uma crônica de RPG situada num universo que mistura “O Senhor dos Anéis” e “Eragon”. Kalaham era um guarda da cidade de Dars-Leona que sempre cumpriu muito bem os deveres. Porém, os acontecimentos daquele dia estavam muito acima das forças dele.

Nota: depois deste parágrafo, o texto será escrito em primeira pessoa. Ou seja, o próprio Kalaham vai contar a história dele.

Alguns dragões tinham escolhido pessoas para serem os parceiros deles durante toda a vida: os “monta-dragões”.  Eu tinha sido o primeiro em Dars-Leona a ser escolhido por um dragão e ajudei a deter um rei tirano antes que a guerra chegasse à minha cidade. Homens, elfos e anões se uniram na guerra.

Depois da vitória, tivemos cinco anos de paz e mais pessoas de Dars-Leona se tornaram “monta-dragões”. Achávamos que tudo estava seguro: um bom efetivo de guardas e dragões nos ajudando a proteger a cidade (eram pequenos ainda, mas ajudavam bastante). O que poderia dar errado?

Um dos meus subordinados me acordou no meio da noite. Várias famílias tinham sido assassinadas enquanto dormiam. Crianças, velhos, homens e mulheres: o assassino cortou a garganta de todos. O cenário em todas as casas era o mesmo: sangue no chão, nenhum sinal de arrombamento e sem rastros do homicida.

O PEQUENO ASSASSINO

Aumentamos a frequência das patrulhas noturnas, assim como o número de guardas em cada uma delas. Não adiantou. Noite após noite encontrávamos mais e mais cadáveres. O pior de tudo: nenhuma, absolutamente nenhuma pista do assassino.

O governante da cidade ordenou que todos os civis ficassem no abrigo subterrâneo, um lugar para proteger os cidadãos em tempos de guerra. Eu, os outros guardas e os dragões continuamos procurando o responsável pela carnificina.

Mautus, meu parceiro dragão, encontrou algo. Seguimos um rastro até a casa do ferreiro e o encontramos morto. Então, Mautus me indicou a direção e vimos um hobbit careca e, pelo que pudemos ver, com o corpo completamente coberto por tatuagens. Saquei a espada e perguntei: – Foi você quem fez isso com o ferreiro?

Ele só deu um olhar debochado e disse: – Sabe por que eu tenho todas essas tatuagens? É uma pra cada pessoa que matei!!! – assim que terminou de falar, o hobbit atirou uma adaga. Mautus se esquivou e eu a rebati com meu escudo. Em seguida, ela explodiu. A explosão não nos machucou, mas foi o suficiente para perdermos o hobbit de vista.

A LUZ CEIFADORA DE VIDAS

Corpos sendo desintegrados.
Crédito: Dragon Ball Multiverso

Saímos da casa para tentar alcançar o hobbit e eu vi algo que nunca queria ter visto: um facho gigantesco de luz e uma explosão. Quando a luz se apagou, vimos uma enorme cratera onde deveria estar o abrigo subterrâneo. Apenas quem estava longe do abrigo no momento da explosão sobreviveu. 

Todos lá dentro haviam sido desintegrados, assim como quem estava nas proximidade. Minha família, meus amigos e todas as outras pessoas que havia jurado proteger estavam mortas. Apenas eu, alguns outros guardas e os dragões tinham sobrevivido. Éramos guardiões de uma cidade que não existia mais.

Naquele dia, 200 mil pessoas morreram e nem pudemos dar a elas um enterro digno, pois não havia corpos para enterrar. Eu já havia entendido, embora tarde demais, que derrotar o rei tirano não era o fim da guerra. Estava na hora de encontrar os meus aliados de cinco anos atrás e terminar aquela guerra. A morte da minha cidade não ficaria impune.

Depois da cena, eu, o jogador, tentei imaginar como seria perder de uma vez todas as pessoas de quem eu gostava e imaginei a reação de Kalaham (meu personagem) ao olhar para a cratera. Quase chorei.

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