“Lobisomem: O Apocalipse” – a visão de Garra-das-Sombras (PARTE 3)

Lobisomem em forma Crinos.
Imagem: Creative Commons / Flickr

 

Este post é a conclusão do relato de Garra-das-Sombras, personagem de um LARP de “Lobisomem: O Apocalipse”. A primeira parte mostrou o encontro de Garra-das-Sombras com sua nova matilha. A segunda mostrou a luta que eles travaram contra uma criatura da Wyrm. A matilha venceu, mas estava para pagar um preço alto.

O totem da minha matilha era a barata. Uma nuvem de baratas corrompidas pela Wyrm nos atacou. Ainda assim, lutar contra aquilo era como atacar nosso próprio totem. Não lembro direito se fomos nós que falamos ou se foram os demais que perceberam, mas o Ancião, provavelmente, já sabia do acontecido antes mesmo de chegarmos lá. Minha matilha havia perdido a conexão com nosso totem por termos lutado contra ele (ou contra parte dele).

Toda minha matilha ouviu os outros Garou nos censurando por isso. Perguntei: “E o que vocês fariam se o seu próprio totem se voltasse contra vocês?”. Não lembro a resposta dada, só sei que não consegui replicar.

A caverna do sanguessuga

As outras matilhas foram fazer… alguma coisa. Foram descansar, cuidar dos ferimentos, tratar de outras obrigações, não sei. Só sei que sobrou para a minha matilha cumprir mais uma tarefa ainda naquela noite: lutar contra um sanguessuga, um maldito servo da Wyrm que os humanos chamam de “vampiro”.

Nossos companheiros hominídeos, por algum motivo, não nos acompanharam. Covardia? As tribos deles os chamaram? Ainda estou tentando descobrir. O fato: uma matilha desfalcada, cujos integrantes remanescentes ainda não estavam totalmente recuperados das lutas anteriores, foi ao encontro daquela criatura nojenta. Aquela caverna ainda me dá péssimas lembranças.

O inimigo que não cai

Acertamos aquele sanguessuga de todos os jeitos. Arranhamos, mordemos, cravamos nossas garras nele, jogamos pedras (grandes) nele e ele simplesmente não sentia nada. Se sentia, ele disfarçava muito bem. Ele não conseguia acertar muitos golpes na gente, só que já eram o bastante para nos deixar em situação bem complicada, mesmo sendo três contra um.

Meu Olhar Paralisante não surtia efeito nele. Porém, um dos meus companheiros percebeu que, de alguma maneira, a caverna estava dando forças ao sanguessuga. Ele estava usando uma espécie de areia ao redor dele para acelerar a cura dos ferimentos. Tentamos tirar a areia de perto dele, mas o sanguessuga já estava preparado e rechaçou nossas tentativas.

A estratégia perfeita

O jeito dele lutar parecia frio e desinteressado. Um observador externo até poderia dizer que ele não estava realmente tentando nos matar. Sanguessugas eram criaturas ardilosas, diziam os Garous de posto mais alto. Então, percebi: sendo três contra um, ele não ia se arriscar a atacar com tudo desde o começo. Ele esperaria até nós todos estarmos bem cansados e feridos. Quando isso acontecesse, aí sim, ele atacaria de verdade, acabaria com tudo.

Mesmo assim, continuamos lutando. Qualquer um com bom senso teria recuado e era fácil perceber que o calor da batalha estava acabando com o pouco de bom senso que ainda tínhamos. Se aqueles dois não recuavam, não seria eu, um Senhor das Sombras, a deixar o campo de batalha.

Porém, chegou o momento em que o cansaço começava a vencer o orgulho. Não precisamos combinar nada, a simples troca de olhares já mostrava que todos estávamos de acordo: era hora da retirada. Recuamos um a um. Eu fui o último. Por um momento, achei que morreria lá, mas o momento passou logo. Ao contrário da luta anterior, nós perdemos. Contudo, assim como na luta anterior, sobrevivemos.

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