O que é Live Action Role Play (LARP)? (PARTE 1)

Atualizado em 15/08/2016

A tradução literal para o termo é “jogo de Interpretação ao vivo”. Resumidamente, quando se está num LARP, o jogador deve criar um personagem e agir como o personagem agiria enquanto a sessão acontece. O jogador não recebe falas nem roteiro. Ele mesmo deve escolher as ações do personagem.

O produtor de LARP, Luiz Prado, mostra a visão dele sobre o assunto: …o LARP se assemelha ao drama, ao teatro… as ações são dramatizadas, são representadas no momento em que elas acontecem. O LARP tem um pouco disso, as coisas são dramatizadas. As ações, as falas, elas acontecem de fato. (…) No LARP, você está agindo, representando como seu próprio personagem, e não descrevendo as ações que ele faz”.

Embora tenha mencionado as semelhanças entre teatro e Live Action, Prado também ressalta as diferenças: “…no teatro existe uma plateia, as pessoas estão vendo aquela representação. O teatro foi feito para ser visto. O LARP foi feito para ser vivido. Num LARP, não tem essa distinção entre o ator e a plateia. Ninguém vai para o LARP para assistir o LARP. Vai para vivenciar, para ser um personagem. Então, no LARP, a pessoa é, ao mesmo tempo, espectador e autor da sua experiência.(…) Mesmo o teatro participativo ou o de improviso são feitos para que alguém veja”.

Em entrevista ao Fantasia em Jogo, a assistente de eventos, Jakeline Santana, evidencia uma visão mais imersiva do LARP: “…é um desdobramento dos jogos de RPG de mesa em que os personagens realizam a ação em tempo real, de forma que o jogador tem mais liberdade de expressão e poder de imersão na aventura. Desta forma, vejo o LARP como uma simulação de como fatos aconteceriam na vida real, uma vez que não temos como ter o domínio de tudo o que acontece durante o jogo”.

Inspirações para um LARP

Existem LARPs baseados em histórias do RPG, como “Vampiro – A Máscara”. Um dos LARPs de “Máscara” é mundial, ou seja, é possível que ações de um personagem dos EUA tenham consequências, por exemplo, para personagens brasileiros.

De acordo com o mestre de RPG, Marcos “X” Sasaki, pode-se dizer que, no mundo dos LARPs, “Vampiro – A Máscara” faz parte do “mainstream”. Quando perguntado sobre histórias populares nos Live Actions, ele afirma: “…a mais popular, infelizmente, é o ‘Vampiro – A Máscara. Digo infelizmente porque os LARPs podem ter vários tipos de abordagem. Infelizmente, o pessoal só fala em ‘Vampiro – A Máscara’”.

LARP de "Vampiro - A Máscara"
Crédito: Flickr / Creative Commons – LARP de “Vampiro – A Máscara”

Entre os vários tipos de abordagem mencionados por Sasaki, estão incluídos os LARPs adaptados de livros e filmes. De acordo com Prado, a Confraria das Ideias realizou um Live Action em 2009 se inspirando nas obras do Edgar Allan Poe. Também segundo Prado, a Confraria é uma ONG com um repertório próprio de LARPs que não exigem qualquer conhecimento prévio dos participantes: “Qualquer pessoa pode aparecer num LARP da Confraria das Ideias e jogar sem grandes problemas”.

A velha opinião formada sobre tudo

De acordo com Santana (citada no quarto parágrafo deste texto), alguns veteranos, ou seja, pessoas que conhecem mais a fundo o LARP, tentam enfiar na cabeça dos outros a velha opinião formada sobre tudo: Falo sobre jogadores e organizadores que (…) querem fazer um iniciante aceitar termos e informações complexas sem necessidade”. Ela relata que viu “…um organizador tentar passar para cinco ou seis jogadores que nunca haviam participado de um LARP ‘os termos corretos” que os definem e eles não entenderam nada, ficou entediante”.

Ela continua: “Um deles me perguntou o que isso queria dizer e tentei explicar de uma maneira mais prática. O organizador me cortou dizendo que ‘o que eu estava dizendo estava errado’. Pessoas que querem ter razão e mostrar que você ‘está errado’ porque nunca foram capazes de pensar diferente do que elas já sabem. Isso atrapalha muito tanto a organização de um LARP quanto a convivência entre os jogadores”.

Também de acordo com ela, “…para jogar LARP, é necessário ter criatividade, imaginação e responsabilidade quanto às suas ações com as pessoas envolvidas no LARP de um modo geral…”. É por isso que existem as regras de conduta.

Regra de conduta: não-toque

Quem estiver lendo este texto pode pensar: então, os jogadores vão fazer todas as ações que os personagens fariam? Se um personagem quiser bater em outro, os jogadores também vão fazer isso? Não, eles não vão. Uma regra de muitos LARPs é o “não-toque”.

Qualquer contato físico é proibido. Alguns Live Actions têm essa regra como absoluta e outros toleram contatos físicos leves, como aperto de mão. Porém, mesmo nesses tipos de LARPs, o jogador pode decidir que não quer tocado por ninguém e os demais devem respeitar essa decisão.

Então, como as disputas são resolvidas? Isso varia. Alguns LARPs usam cartas numeradas, outros usam o jokenpô (pedra, papel e tesoura). Em outros casos, a sessão de live Action é modelada de forma que não haja conflitos entre personagens ou de forma que tais conflitos possam ser resolvidos apenas na base da conversa.

Vale lembrar que alguns LARPs recriam lutas medievais. Contudo, esses LARPs também têm regras para preservar a integridade física dos participantes: as armas são feitas de espuma; deve-se evitar força excessiva; não pode acertar a cabeça e genitais; entre outras.  Mesmo em LARPs com contato físico mais intenso, há regras a serem seguidas e tudo é feito em acordo prévio aceito pelos os participantes.

Regra de conduta: evite “ONFFAR”

Antes de tudo, é preciso explicar certos termos. Sasaki (citado acima em “Inspirações para o LARP”) explica que “ON” é um termo usado para dizer que você está jogando e “OFF”, para dizer que você não está jogando. Em alguns momentos, o jogador interrompe a cena da qual está participando para, por exemplo, tirar uma dúvida. Então, é preciso esclarecer em que momento é o jogador falando e em que momento é o personagem falando.

Então, surgiu o termo “ONFFAR”, que é definido por Sasaki assim: “…é quando um jogador usa em ‘ON’ uma informação que o personagem não teria. O jogador sabe uma coisa, mas o personagem não. ‘ONFFAR’ é um termo usado quando o jogador usa uma informação que o personagem não poderia ter”.

Nota: para mais informações, veja a PARTE 2 e clique em Confraria das Ideias e Vampiro – A Máscara.

Atualização (30/04/2015): o “Fantasia em Jogo” descobriu que “ONFFAR” nem sempre deve ser visto como algo ruim.

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