UM DIA HISTÓRICO: Fórum Paulista de RPG

“Estou há mais de 20 anos no RPG e é a primeira vez que eu vejo uma coisa como esta.” – Bruno Cobbi, Roleplayers.

Na última quinta (08), aconteceu o Fórum Paulista de RPG, realizado na Câmara Municipal de São Paulo. No evento, compareceram representantes dos grupos Geek It, RPG & Cultura, Megacorp, Interpretar & Aprender,  Minas de Moria, Guilda dos Mundos, Roleplayers, entre outras pessoas que buscam promover o RPG em São Paulo.

Outras presenças importantes foram as do Assistente de Coordenação de Programas para Juventude do Estado de SP, Idernani Gomes do Carmo, e a do vereador Jean Madeira. Ambos trabalham na esfera política na intenção conseguir recursos e espaços para atividades da Cultura Geek, inclusive o RPG.

Imagem mostrando alguns dos principais participantes do Fórum Paulista de RPG.
Jean Madeira, Idernani do Carmo e Kaio Corsato (Geek It).

Madeira afirmou: “…queremos que isso (o RPG) esteja nas escolas, nos CEUs, nas Casas de Cultura. Nós chamamos vocês aqui para fomentar o RPG. As leis não precisam ser criadas só pelo parlamentar. (…) Nosso intuito é que vocês digam o que querem. (…)”. Um dos tópicos discutidos no Fórum foi a criação de políticas públicas para o RPG. Segundo Madeira, isso é possível, mas os grupos de RPG precisam ajudar na criação dessas políticas.

OS BENEFÍCIOS DO RPG

Fernando Prandini narra RPG há anos e citou um episódio no qual o RPG melhorou a vida de alguém, mencionando o caso de André Luiz, um dos participantes do Fórum: “Muitas mesas (grupos compostos de, geralmente, 5 pessoas que se reúnem para sessões de RPG) rejeitavam o André porque não entendiam o que ele falava. Ele veio até minha mesa, eu o ajudei, e hoje ele trabalha comigo no telemarketing”.

Prandini também citou o uso de RPG nas escolas, relatando casos nos quais diversos alunos melhoraram os desempenhos porque o RPG era usado no ensino. Eva Morrissey, do grupo Minas de Moria, concorda que o RPG pode ser usado dessa maneira, mas afirma que é preciso manter a parte lúdica: “A gente não pode tratar o RPG só como ferramenta, senão vamos nos esquecer do fim do RPG em si mesmo (ou seja, a diversão).

PROFISSIONALIZAÇÃO

Um dos tópicos do Fórum foi a necessidade de profissionalizar o RPG. Muitas pessoas narram sessões de RPG voluntariamente, mas, segundo Carmo, isso não funciona: “O voluntariado é legal, mas vai perdendo força (com o tempo). Todos têm que ter seus recursos para sobreviver”. O coordenador da Gibiteca Henfil, Hugo Abud, tem uma opinião parecida: “É preciso formalizar e institucionalizar o RPG. Cultura não se faz com voluntários”.

Para Bruno Cobbi, do grupo Roleplayers, “A profissionalização é uma via de duas mãos. Tem o mestre que diz que é profissional, e tem o público que reconhece o mestre como profissional”. De acordo com Bruno Ibarra, da Guilda dos Mundos, os grupos de RPG precisam reconhecer e validar os trabalhos uns dos outros, não só para ganhar mais respeito junto à população, mas também para ter mais força na hora de pedir verba ao poder público.

DISCRIMINAÇÃO

Outro assunto que o Fórum abordou foi a discriminação contra mulheres no RPG. Quando se falou em “incluir as mulheres”, Eva Morrissey, das Minas de Moria, disse: “Não gosto muito da palavra ‘incluir’. Queremos normalizar a presença da mulher no RPG. Não é bem diversidade porque somos todos normais”.

Também de acordo com ela, “O mundo ideal do RPG não leva em consideração sexo e idade, mas a realidade não é assim. É preciso ter isso em mente para que, da próxima vez, eu não seja a única mulher aqui”.  Morrissey não era a única mulher no evento, mas era a única na mesa de discussão. O número total de mulheres no Fórum foi 3, sendo que o evento teve mais de 20 participantes.

PRECONCEITO

Segundo o gerente da FunBox Ludolocadora, Jaime Cancela, “O RPG era originalmente elitista, mas conheci narradores que nunca tinham lido um livro de RPG. Hoje, dá para colocar RPG na periferia sem levar um livro. Se colocar RPG lá, as pessoas jogam”. Ele também relatou episódios nos quais bibliotecários escondiam livros de RPG que estavam nas bibliotecas por acreditarem que se tratava de uma prática demoníaca.

Representantes de grupos de RPG e instituições públicas durante o Fórum Paulista de RPG.
Maurício Borges (RPG & Cultura), Max Santiago (Gibiteca Balão), Jaime Cancela, Eva Morrissey e Hugo Abud (Gibiteca Henfil).

Apesar de alguns dos participantes do Fórum acreditarem que o RPG ainda é elitista, todos concordaram que é preciso arranjar meios para expandir e explicar a prática. Segundo Anderson Gomes, do grupo Megacorp, “A sociedade precisa saber o que é (o RPG). Na visão dele, o RPG atrairá o interesse quando for reconhecido pela sociedade, mas isso acontecerá apenas a longo prazo.

Para mais informações, clique em:

Geek It                              Interpretar & Aprender             RPG & Cultura                             Megacorp                 

Gibiteca Henfil             Minas de Moria                              Guilda dos Mundos                    Roleplayers       

Gibiteca Balão

 

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